DESTROEM, PORQUE SABEM

George Franklim

A BUNGE ALIMENTOS S/A e a Mineração Graúna S/A, após extrapolação dos prazos estipulados pelo Ministério Público Federal, fizeram espetáculo ruidoso na Secretaria do Meio Ambiente ao apresentarem seus Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental buscando aprovação para as suas práticas destruidoras. É inacreditável como podem enrolar toda uma sociedade... Impressiona, a fleuma, a surdez, o descaso. Depois de muita lenga lenga, tanto BUNGE como Mineração Graúna continuam apresentando à sociedade a mesma argumentação inválida, sem fundamentação, pautados, certamente, no “Know how” de 100 anos de exploração de Brasil.

Nosso papel tem sido o de dar publicidade aos fatos na sua inteireza para uma formação de consciência. Por trás da lenha que usam nas caldeiras da BUNGE, está a destruição do ecossistema cerrado e toda uma vontade articulada em muitos interesses para aniquilar nossa biodiversidade. Tudo porque nossa biodiversidade oferece possibilidade de se criar meios para um desenvolvimento sustentável na região, porque é alternativa para uma sobrevida à vida no planeta, especialmente, do homem. A produção de soja nos cerrados do Brasil é preocupação em todo o mundo porque os exploradores destroem o ecossistema sem dó e piedade. Os 0,85% de cerrados ditos preservados no Planalto Central é uma prova viva de que não há, por parte dos exploradores, interesse em preservar nada, que o que interessa a eles, exclusivamente, é a ganância associada à devastação. E esse modo de exploração dos cerrados se dará enquanto for lucrativo, depois o abandonarão imprestável. Pior é que nosso cerrado não é igual ao do Planalto Central, a proximidade com o semi-árido o torna especialíssimo, uma barreira de proteção e sustentação à bacia do rio Parnaíba, aliás, fragilíssima proteção, mas a única, tanto que se ela desaparecer, é como se decretasse a morte do rio. Gilbués serve de alerta. O cerrado assegura a vida ao rio Parnaíba. A água que você bebe e a energia que tem em casa, provêm, pois, do cerrado, do rio Parnaíba. Agora, pense o rio Parnaíba seco. Isso mesmo, pense o rio Parnaíba seco, pense o caos, porque é isso o que acontecerá.
Uma estaca de lenha nas fornalhas da BUNGE é um pedacinho de cerrado e vida que se vai sem retorno à natureza. E como as fornalhas ardem e fumegam como o fogo do inferno, ceifam a vida dos cerrados, inclusive a vida das comunidades, comunidades de lenhadores em que se transformaram. Por estacas de lenhas todas as vidas são destruídas, um pedaço de planeta é destruído. Não pense ser exagero o que afirmamos, o cerrado de pé é mais produtivo que se produzindo soja, isto está comprovado cientificamente. A produção de soja no cerrado é imposição de dominação econômica, social e política. A SOJA REPRESENTA UM MODELO DE EXPLORAÇÃO DE TERRA E GENTE NO BRASIL QUE AINDA ACONTECE POR CAUSA DA CONIVÊNCIA DOS NOSSOS MANDATÁRIOS E DE UMA ELITE DESCOMPROMISSADA COM A CONSTRUÇÃO DE JUSTIÇA SOCIAL EM NOSSA SOCIEDADE, CEGOS QUE SÃO AOS PROBLEMAS AMBIENTAIS, QUE SÃO GRAVES, IMPORTANTES, ESTRATÉGICOS PARA A PROTEÇÃO DA VIDA, DA NOSSA VIDA, DA VIDA NO PLANETA. Os cerrados, transformam em lenha... Transformam nossa terra em soja que se vai, terra que é sugada até a exaustão. A instalação do negócio da soja é fruto de subsídio imposto a um povo que não soube vendido, vilipendiado, usurpado até a última gota de sangue. E quando exaurido tudo que se possa imaginar, os destruidores, enfim, nos apresentarão, sem receio e vergonha, uma última conta: O PREÇO DA NOSSA VIDA MISERÁVEL E HUMILHADA QUE SE DÁ AGORA PELA EXPLORAÇÃO DOS CERRADOS QUE NÃO CONSUMIMOS, NO DESERTO QUE CRIARÃO, DESGRAÇA QUE SERÁ SÓ NOSSA PELO RESTO DE NOSSAS VIDAS.

É isto o que ocorre observar-se e não é tudo o que sabemos e sentimos a respeito. Para tanto, precisaríamos de um bom tempo para dar conta de como maquinam a destruição, de todo esforço que fazem na orquestração para a destruição da natureza, ferindo-a de morte, por uns grãos, por domínio e poder. Isso só tem sentido e gratificação se para a denúncia dos erros, um último alerta, um despertar, uma salvação.

Consolidou-se em nós, nestes últimos dias, uma certeza: DO MODO COMO AGEM OS DESTRUIDORES DE NATUREZA NO SUL DO PIAUÍ E MARANHÃO, SE NÃO FOREM BARRADOS, OS CERRADOS E O RIO PARNAÍBA NÃO EXISTIRÃO POR MUITO TEMPO. Afinal, são 100 anos de experiência em exploração de Brasil.