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RELATÓRIO DA PRIMEIRA EXPEDIÇÃO DO PROJETO BIOMA
COORDENAÇÃO
GERAL : Dra. Larissa Barreto (Depto. de Oceanografia e Limnologia/UFMA)
EQUIPE
TÉCNICA
Msc. Jorge Hamilton (Depto. de Geociências (UFMA)
Dra. Larissa Barreto (Depto. de Oceanografia e Liminologia (UFMA)
Dra. Maria do Socorro Rodrigues Ibañez (Depto. de Ecologia (
UNB)
Doutorando Nivaldo de Figueiredo (Depto. de Biologia (UFMA)
Dr. Antônio Carlos Leal de Castro (Depto. de Oceanografia e Limnologia//UFMA)
Doutoranda Adriani Hass (Depto. de Ecologia/Unicamp)
Doutorando Flavio Rodrigues (Associação Pro-Carnívoros)
Dra. Márcia Correa Rego (Depto. de Biologia/UFMA)
MsC Lisiane Honaiser (Educação/Estado do Maranhão)
Dr. Paulo Roberto Saraiva Cavalcanti (Depto. De Oceanografia e Limnologia/UFMA)
CONSULTORES
Dr. Roberto Brandão Cavalcanti (Vice-Diretor IB-UnB /Conservation
International)
Dr. Guarino Rinaldi Colli (Depto. de Zoologia/UnB)
Elienê Pontes Araújo (Laboratório de Geoprocessamento/UEMA)
APOIO
Sr. José de Ribamar da Costa e Silva (consultor OEA/SRH-MMA)
MsC. Valmira Vieira Mecenas (Semarh/DF)
INTRODUÇÃO
Segundo Fearnside & Ferraz (1995) 60% da floresta original do Maranhão
foi perdida pelo desmatamento e somente um dos dez tipos de vegetação
existentes é protegido por lei. Devido a esse e a outros impactos
que o estado vem sofrendo, tais como poluição dos rios
por agrotóxicos, assoreamento de rios, surgiu a proposta de elaborar
e executar o projeto Conservação dos Biomas do Estado
do Maranhão.
O reconhecimento de áreas protegidas e por conseguinte dos biomas
maranhenses é importante para a manutenção dos
recursos genéticos da fauna e da flora, e também para
a reserva estratégica de água dos mananciais aquíferos,
principalmente em áreas de nascente. Assim, com o intuito de
salvaguardar a grande diversidade da paisagem e da biota do Maranhão
foi elaborado o projeto preliminar de Sustentabilidade e Vulnerabilidade
dos Biomas Maranhenses.
O Programa de Ações Prioritárias para os Grandes
Biomas Brasileiros foi estruturado especialmente para desenhar estratégias
regionais de conservação da biodiversidade para os principais
ecossistemas do país. Ele foi concebido para avaliar a riqueza
biológica e os condicionantes sócio-econômicos da
região e apresentar bases técnicas para a sua conservação
(MMA, 1997).
O Maranhão apresenta uma superfície de 328.366 km2. É
um Estado de transição geográfica entre as regiões
Norte, Nordeste e do Brasil central, que apresenta grande relevância
ecológica por conter quase todos os biomas brasileiros tais como:
pré-amazônia, cerrado, caatinga (“carrasco”),
cocais, baixada maranhense, dentre outros (Sematur, 1991). Considerando
a grande diversidade do Estado, torna-se urgente a sua inserção
na Política Nacional de Biodiversidade (MMA,1997) que contribua
para garantir a proteção e gestão de sua riqueza.
O Maranhão comporta 60% de Cerrado, representando mais da metade
de todos os biomas existentes no Estado (Sematur, 1991). O Cerrado é
umas das regiões de maior biodiversidade do planeta e cobre 25%
do território nacional. Estimativas apontam mais de 6000 espécies
de árvores e 800 espécies de aves, além de grande
variedade de peixes e outras formas de vida. Calcula-se que mais de
40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das espécies
de abelhas sejam endêmicas, isto é, só ocorrem nas
savanas brasileiras. Devido a esta excepcional riqueza biológica,
o Cerrado, ao lado da Mata Atlântica, é considerado um
dos “hotspots” mundiais, isto é, um dos biomas mais
ricos e ameaçados do planeta (MMA, 1997).
Por ser o Maranhão um Estado de transição geográfica,
pode-se considerar que muitas áreas podem estar servindo de corredores
ecológicos no processo de distribuição das espécies,
influenciando na dinâmica dos ecossistemas. Além disso,
é onde ocorre o ponto extremo oriental da distribuição
das formações Amazônica, e extremo Nordeste das
formações de Cerrado e Caatinga, e é muito representativo
com relação a algumas espécies endêmicas.
Este estudo fornecerá as bases para um futuro zoneamento sócio-econômico
sustentável para a região de Balsas. Além da preocupação
em preservar uma parte desse ecossistema, a presente proposta visa conciliar
seus objetivos com os empreendimentos agrícolas da região,
dando suporte para o desenvolvimento sustentável. Somente parte
dessa área abrangente de Balsas se destinará para preservação
e conservação. Isto reflete em um estado de “saúde
ambiental” para essa região, tornando-a sustentável
a longo prazo.
A região de Balsas, tem sido alvo da implantação
de grandes projetos agrícolas como o PRODECER (Programa de Desenvolvimento
do Cerrado) I, II, III, BATAVO, empreendimento agropecuário NOVA
HOLANDA, principalmente. Atualmente, a região vem sofrendo um
processo de degradação ambiental pelo uso intensivo do
solo para fins agriculturais. No Maranhão, quase todos os empreendimentos
desta natureza implantados desde 1980, têm utilizado tecnologias
avançadas, com o objetivo de aumentar os índices de produtividade
e minimizar os custos de produção. Esta realidade se defronta
em parte com os benefícios de uma agricultura moderna e dinâmica,
mas por outro lado com os impactos ambientais. Segundo dados do IBGE
entre 1984 e 1997 houve um incremento da ordem de 121.740 ha de área
cultivada na região, implicando na produção de
264.600 t de soja em 1997 e consumo de cerca de 50% de defensores agrícolas
do total utilizado na atividade agrícola do Estado (PROÁGUA/MA,
1998).
OBJETIVO
O objetivo é fazer o mapeamento das potencialidades da biodiversidade,
dando embasamento a um modelo de gerenciamento dos biomas maranhenses
guardadas suas características para a região de Cerrado
do Estado (Região Gerais de Balsas).
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
1) Inventariar fauna e flora de ambientes aquáticos
e terrestres
2) Diagnosticar as condições geomorfológicas, hidrográficas
e edáficas
3) Observar espécies bioindicadoras de qualidade de hábitat
4) Desenvolver estudo de bioindicadores dos recursos hídricos
5) Apontar áreas de importância para conservação
em relação a presença de espécies endêmicas
e qualidade de hábitats
6) Avaliar o nível de agrotóxicos no ambiente aquático
ÁREA
DE ESTUDO
A área de estudo está situada na região
de Balsas (7º 39’ 02’’: 46º 21’ 31’’;
7º 47’10’’: 46º 10’ 16’’).
Essa área foi selecionada através de mapas e imagens satélites
do Diagnóstico do Zoneamento Ecológico e Econômico
do Maranhão (UEMA, 1997). Ela se mantém relativamente
conservada, distante 30km de Balsas, e apresenta limites naturais formados
por cursos d’água, abrangendo uma área total de
35.000ha (Fig. 1). O período das atividades de campo será
de dois anos, com duas observações durante a estação
chuvosa e duas durante a estação seca, totalizando oito
idas ao campo.
A região de Balsas se localiza ao sul do Maranhão, fazendo
parte da bacia do Rio Parnaíba (06o40’ e 09o 25’S;
44o35’e 47o 10’). O Rio Balsas tem suas cabeceiras na Chapada
das Mangabeiras a uma altitude média de 600m, apresentando uma
bacia hidrográfica de 24.540 km2 . Fica localizada numa zona
quente e semi-úmida. A vegetação predominante é
o Cerrado “sensu stricto”. Foram reconhecidas 10 formas
de vegetação no Cerrado: mata de galeria inundada associada
à vereda de buritis, com campo úmido e murundus, vereda
de buritirana, com campo úmido, cerrado aberto, cerrado denso
(sensu-strictu), cerrado degradado, brejo (vegetação que
cobre áreas encharcadas artificialmente), capoeira (vegetação
de crescimento secundário, cobrindo calreiras), pasto (cerrado
em que foram totalmente removidos os arbustos, arvoretas e árvores,
ficando só o estrato herbáceo, usado na alimentação
do gado) e mata de cachamorra-branca. Os cinco últimos tipos
correspondem às vegetações alteradas pela atividade
humana (PROGEA, 1995). É encontrado também mata de galeria,
além de capoeiras em diferentes níveis de degradação
e pastagens (Figueiredo com. pess.).
A região de Balsas abrange 7 municípios, cada um com sua
sede administrativa. A população total é de 88.
253 habitantes, com uma densidade demográfica total de 2,76 hab/km2
. A maior concentração da população encontra-se
na zona rural, correspondendo 75,15% da população total
(Proine, 1987).
Quanto à infra-estrutura de saúde, a população
de Balsas é servida por uma rede de 10 unidades médico-hospitalares.
A economia local, engloba um total de 12. 730 estabelecimentos, sendo
que 11.790 agrega o setor primário (92,62%), 50 o setor secundário
(0,39%) e 890 o terciário (6,99%). A estrutura fundiária
é caracterizada por minifúndios de até 5 ha e uma
área média de 1, 47 ha, junto com as pequenas propriedades,
com estratos de 5 a 20 ha , totalizando 18.098 ha . No outro extremo,
entre as grandes propriedades e latifúndios, respectivamente
nos estratos de 200 a 1000 ha e mais de 1000 ha, verifica-se que apenas
1.544 estabelecimentos (13,10%) detém 1.344.527 ha, correspondente
a 88,55% das áreas. A utilização da terra está
subdividida em lavouras, pastagens, matas e terras produtivas não
utilizadas (Proine, 1987).
A bacia hidrográfica de Balsas faz parte da bacia sedimentar
do Piauí/Maranhão, assentada sobre as rochas cristalofilianas
do complexo cristalino Pré-Cambriano. As formações
serra Grande e Cabeças são conhecidas como excelentes
aquíferos no âmbito da bacia sedimentar do Piauí/Maranhão
(Proine, 1987).
O regime de chuvas da região é nitidamente tropical, caracterizado
por um período chuvoso que se inicia em dezembro e se prolonga
até abril, com chuvas fortes, e o período seco (maio a
novembro) com precipitações muito esparsas. O clima da
região é do tipo Aw, clima tropical de savana, com inverno
seco e verão chuvoso. A temperatura média varia de 25o
C a 26o C (Proine, 1987).
Localização
Jorge Hamilton
A área em estudo localiza-se no sul do Estado do Maranhão,
limitando-se ao norte, com o Ribeirão Gado Bravo; ao sul, com
o Ribeirão Bom Acerto; a leste com o Rio das Balsas e a oeste
com o Ribeirão Gado Bravo e Bom Acerto. (Fig. 1).
A referida área situa-se ao sul da sede municipal de Balsas a
aproximadamente 30km entre as seguintes coordenadas geográficas:
07º 40’ 00” e 07º 47’ 46” lat. Sul;
46º 10’ 00” e 46º 20’ 20” long. Oeste.
Etapas Desenvolvidas
Reconhecimento e delimitação da área de estudo
a partir da imagem de satélite Landsat Tm5 221-065/98, na escala
1:1000.000 e da carta planialtimétrica de Balsas produzida pela
Diretoria do Serviço Geográfico do Ministério do
Exército (DSG/ME), na escala 1:100.000, folha MI 1270 subsidiada
com sobrevôo realizado no dia 11/06/01 e trabalhos de campo no
período de 11/06 a 17/06/2001.
Levantamento fotográfico (filme convencional e slide) das principais
características ambientais.
Definição dos pontos de amostragem através da carta
planialtimétrica e GPS.
Realização de perfis transversais no Ribeirão Gado
Bravo (próximo ao povoado de Buritirana e na confluência
com o Rio das Balsas) e no Ribeirão do Cajá com medição
de velocidade de corrente utilizando-se trena de 50m, mira falante,
balizas, cronômetros e flutuadores.
Caracterização Geomorfológica e Hidrográfica
As principais unidades geomorfológicas identificadas em trabalhos
realizados pelo IBGE (1996) e MARANHÃO (1997) as quais foram
observadas durante as excursões de verdade terrestre foram: as
chapadas em níveis altimétricos inferiores a 600m, apresentando
topo razoavelmente plano, modelados em arenitos e folhelhos limitadas
por escarpas intensamente dissecadas com presença de latossolos
amarelos e solos litolólicos; as superfícies tabulares
situadas em cotas entre 200 e 400m, modeladas em siltitos, argilitos
e arenitos, inumados por cobertura areno argilosa apresentando Latossolo
Amarelo, Podzólico Vermelho-Amarelo e Areias Quartzozas.
Ainda durante os trabalhos de campo observou-se a presença de
colinas de topo convexo, morros testemunhos e amplos e estreitos vales
fluviais, assim como extensas áreas der cultivos muito próxima
das bordas (escarpas) das chapadas o que poderá ocasionar num
futuro próximo tanto a perda de áreas agricultáveis
como o assoreamento dos recursos hídricos em conseqüência
das erosões. (Foto 1)
A referida área em estudo situa-se na Bacia do Rio das Balsas
em clima sub-úmido com precipitação pluviométrica
variando de 1.000 a 1.300mm/ano, concentrado de outubro a abril e temperatura
média anual em torno de 25.5ºC. O rio Balsas com uma vazão
média anual em torno de 131m³/s, o qual banha a cidade de
mesmo nome (Fotos 2 e 3), nasce entre a Chapada das Mangabeiras e a
Serra do Penitente na cota de 577m apresentando-se perene ao longo dos
seus 525km (IBGE, 1996). Todavia, durante os trabalhos de campo pode-se
constatar o assoreamento de alguns trechos do rio devido aos desmatamentos
da mata ciliar em virtude das atividades agrícolas (Foto 4).
Ainda no tocante aos recursos hídricos da área delimitada
tem-se a presença do Ribeirão do Gado Bravo, Cajá
e Bom Acerto os quais caracterizam-se pela presença de canais
retilíneos e/ou meandrantes com pequena largura e profundidade
(Anexo 1). A realização dos perfis transversais em diferentes
épocas do ano permitirá estimar a taxa de erosão
ou assoreamento, bem como a vazão dos referidos cursos d’água.
Em virtude da necessidade de conservação da área
selecionada para o estudo das potencialidades do cerrado, a referida
equipe está analisando a viabilidade de estender os estudos para
toda bacia do Ribeirão Gado Bravo e Bom Acerto.
Referências Bibliográficas
FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA.
Macrozoneamento geoambiental da bacia hidrográfica do Rio Parnaíba/Primeira
Divisão de Geociências do Nordeste; Margarete P. Rivas
(coordenadora). Rio de Janeiro: IBGE, 1996. 111p.
MARANHÃO. SECRETARIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA/UNIVERSIDADE
ESTADUAL DO MARANHÃO. Diagnóstico Geoambiental e Sócio
econômico da zona sul do Estado do Maranhão. São
Luís: LABOGEO/UEMA. 1997.
COBERTURA VEGETAL
Nivaldo de Figueiredo
Este trabalho foi realizado em três etapas:
ETAPA 1 - Escolha de área potencial para a realização
dos trabalhos de campo
A primeira etapa foi realizada em São Luís
e o seu objetivo era de reconhecer as áreas potenciais de estudo
na região através de análise de imagem de satélite
(UEMA, 1999). A área delimitada foi a que apresentava as melhores
condições para o início dos trabalhos de campo,
sendo esta escolha baseada principalmente no estado de preservação,
representatividade das formações regionais, presença
de rios e vegetação ciliar assim como proximidade da sede
do município e facilidade de acesso.
Foi escolhida uma área denominada “Chapada do Gado Bravo”,
situada entre as coordenadas “07º 54’ 34” S e
46º 15’ 38” W, distando aproximadamente 30km da sede
do Município de Balsas e localizada às margens do rio
Balsas.
ETAPA 2 – Sobrevôo de reconhecimento e
caracterização das formações regionais e
definição da(s) área(s) de execução
do projeto.
Foi realizado um sobrevôo, no dia 11/06/2001,
por integrantes da equipe partindo da sede do município de Balsas
e seguindo ao longo do rio Balsas até a sua nascente. O objetivo
deste sobrevôo foi de fazer o reconhecimento e delimitação
da área que já havia sido pré-definida através
de imagens de satélite. Outros itens verificados foram: a representatividade
desta área em relação às demais formações
regionais; a existência de outras áreas potenciais para
a realização dos estudos e os fatores de tensão
ecológica mais freqüentes.
ETAPA 3 - Excursões de reconhecimento de campo
da área definida.
Esta etapa, realizada de 11/06/2001 a 18/06/2001, constou
de viagens de reconhecimento na área definida. Nestas viagens
procurou-se reconhecer as principais formações, o estado
de preservação, dificuldades de acesso e as espécies
representativas destas formações.
Resultados
ETAPA 2 – Sobrevôo de reconhecimento e caracterização
das formações regionais e definição da(s)
área(s) de execução do projeto.
A Chapada do Gado Bravo - área I, foi confirmada
para a realização da coleta de dados desta primeira expedição.
Os dados observados nas imagens de satélite foram corroborados.
Esta área apresenta um bom grau de preservação,
possuindo ainda as principais formações observadas na
região ou seja: formações de chapada, com vegetação
de cerrado em cima da chapada, vegetação de cerrado no
entorno da chapada, vegetação de mata nas encostas e matas
de galeria. Além disto está situada às margens
do principal rio da região, o rio Balsas.
Através do sobrevôo uma segunda área
potencial foi delimitada, sendo denominada de “Área II”.
Esta área, apresenta características semelhante à
área I , e está situada nas coordenadas 08º 06’
34” S e 46º 16’ 14” W , localizada próxima
ao rio Balsas. Esta área foi selecionada 0também por apresentar
aparentemente um bom grau de preservação.
A REGIÃO DE BALSAS - Relevo e Vegetação - Dentro
das unidades morfológicas de relevo propostas para o Estado do
Maranhão Feitosa (1983), a região de Balsas está
situada como pertencente ao Planalto maranhense, apresentando cotas
de altitudes que variam de 200m a 600m. Esta unidade engloba, aproximadamente,
40% da superfície do estado, ocorrendo o predomínio dos
chapadões sedimentares com algumas elevações isoladas
que formam os morros ou serras. Estas serras constituem divisores de
águas entre as bacias dos rios (Feitosa 1983). As figuras 1 e
2 ilustram estas formações de chapada.
A vegetação predominante na região é o Cerrado
(“lato sensu”), ocorrendo tanto no alto das chapadas como
nos vales abaixo. Quanto à fisionomia, encontramos desde o Cerradão
ao Cerrado (“sensu strictu”), passando por sub-tipos intermediários
em função, provavelmente, de degradação
e/ou características do ambiente, tais como profundidade do solo,
presença de afloramentos rochosos, declividade, altitude, entre
outros. Alguns destes sub-tipos deverão ter designações
próprias neste trabalho (como Cerrado baixo, por exemplo) com
o único objetivo de uma melhor caracterização.
Estas formações não apresentaram, contudo, diferenças
na composição de espécies, pelo menos em uma análise
visual realizada através de caminhadas e coleta de material fértil
na área de estudo. Amostragens destas formações
de Cerrado, deverão ser realizadas nas próximas viagens,
caracterizando-as quantitativamente. Através da análise
da estrutura da vegetação poderemos obter uma delimitação
mais precisa, assim como detectar possíveis alterações
na composição de espécies destas formações.
Além da vegetação de Cerrado, encontramos ainda
formações florestais com características mesofíticas
nas encostas das chapadas e nos anfiteatros (vales com escarpas íngremes
e abruptas formados no encontro entre duas ou mais chapadas). Estas
duas formações (mata de encosta e dos vales) se distinguem
pelo menos fisionomicamente. As árvores das matas de encosta
tem altura em torno de 15m a 20m, os troncos são retilíneos
e relativamente mais finos do que as matas dos vales das chapadas. Já
as matas dos vales apresentam árvores maiores, com espécies
chegando a 40m de altura ou mais e perímetro acima de 1m (PAP).
Estas formações serão comparadas quanto a sua composição
florística. A Figura 3 mostra uma formação de chapada
com o anfiteatro e a vegetação florestal do vale.
À vegetação encontrada nas beiras dos rios e pequenos
cursos d’água, denominamos coletivamente de Mata de Galeria,
por haver ainda uma certa discordância na literatura quanto à
terminologia adequada (i.e. Mata de Galeria, Mata Ciliar, Mata Ripária,
Mata Ripícola). A largura e características estruturais
destas Matas de Galeria variam muito em função do tamanho
e da área de influência da bacia do rio ou ribeirão.
Assim nos rios maiores e nas bacias mais amplas encontramos uma vegetação
maior, com árvores mais altas (entre 10m a 15m, aproximadamente),
nos pequenos ribeirões a vegetação é mais
arbustiva (variando entre 3 e 6m, aproximadamente).
ETAPA 3 - Excursões de reconhecimento de campo
nas formações da Chapada do Gado Bravo.
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